sábado, 25 de junho de 2022

Reencontro

Longe de você

Eu quero tanta coisa

Acumula

Então, resolvi
Vou querer por etapa.
Primeiro chegar
Depois te procurar
Ao longe ver você caminhar
Acompanhar seus passos vindo até mim
Em seguida sentir aquela energia que atinge no sorriso do olhar
Logo depois aquele abraço seguido de beijo ou vice versa
Quase sempre acompanhado de um momento estabanado ou embaraçoso
Quase sempre acompanhando de um momento sem graça pelo momento anterior
E quero o momento que segue, quando a gente se olha. Se olha. Olha no olho, sempre que se olha.
Já em casa, a gente perde o rumo de vez
Perde as etapas
E volta a querer tanto
Tantas coisas
Tudo de uma vez.

03/08/2018

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Memória da primeira infância

Quando bem pequena eu vivia distante do mundo que conheço hoje, social e culturalmente.

Minhas memórias são bem falhas, mas há coisas que não passam.

Não passa a imagem da minha família reunida na minha vó aos domingos, não passa o amor e cuidado que minha vó e vô tinham por mim, os maternos porque os paternos não conheci, morreram meu pai ainda muito jovem.

Eu lembro bem de dormir em um berço no quarto dos meus pais até os 6 anos quando herdei a cama da minha bisa, que meu irmão, 4 anos mais velho apenas, dormia sozinho na sala, tinha medo e corria para o berço de madrugada, ali, bem apertados dormíamos o resto da noite.

Mas também, pudera não ter medo, nossa pequena casa era fria, tenho essa recordação, era há época uma roça comparado a hoje, a casa de teto de madeira e telha colonial, era muito antiga, tinha muitos ruídos, ela toda trincava... Nossa infância foi rodeada de fantasmas.

Lembro, dessa forma, dos pesadelos que tive nessa casa que vivi até os 8 anos e poucos, foram os mesmos que perpetuaram até a adolescência, naquele mesmo quintal deserto e silencioso e frio, com dinossauros famintos que destruíam tudo pela frente a disco voadores que nos sequestravam...

Minha infância tinha um avô comprometido em me fazer mais do que tinha feito por qualquer criança antes, era pipoca doce do Seu Lalaia quase todo fim de tarde, era picolé Kibon e/ou Elma Chips na padaria em dia de domingo, não todos claro, mas frequentemente. Vôvô Thiago comprou meu primeiro "cavalo", como ele chamava a bicicleta, era menor que eu, tava quebrada e sem pintura, mas ele concertou e pintou com a tinta que sobrou da pintura das janelas, um verde bandeira. Linda! Me ensinou a andar nela, era aposentado, meu pai trabalhava de domingo a domingo no bar, e minha mãe cozinhava para o bar.

Meu vô e minha vó tinham todo o tempo e ainda saúde para dedicar a mim, a caçula, quem veio depois não teve a mesma sorte, eles adoeceram e partiram cedo.

Vóvó Odair, meu grande e eterno amor, me ensinou a amar antes de qualquer outra coisa, me dava carinho sem precisar de colo e beijo (apesar de ter colo e abraço e beijos porque fui uma criança assim e sou assim até hoje), era no olhar, na atenção, no cuidado, na carne assada com macarrão, no biscoito sequilhos na biscoiteira de plástico que imitava cristal, no Mineirinho gelado com frango assado no domingo, nas longas caminhadas de Vista Alegre até o Barracão para ver a lojinha, comprar coisas de decoração para a sua casa, eu ajudava escolher, e na semana de pagamento da sua aposentadoria de salário mínimo da déc. de 90, ela me dava um brinquedo ou uma roupa. Nunca esqueço da minha euforia no dia que caminhamos os 30/40min de caminhada em estrada de chão até o Barracão para ver se o fogão com panelinhas ainda estava lá para eu ganhar... Ele era para boneca tipo barbie, pequeno e de plástico, nada abria ou tinha alguma funcionalidade como os de hoje, mas era o máximo, chegamos lá e tinha, não mais da cor que eu queria, só tinha verde, foi verde mesmo...

Minha primeira infância teve mato, quintal, plantação, árvore de fruta, árvore de subir, coco no mato com direito a saber qual era a folha do pé de batata e qual era a folha de ortiga para não correr risco, teve vara de goiaba e de amora, sempre a posto, teve espaço para correr muito e lugar para se esconder.

Minha infância tinha um pai que me colocava na cama para dormir, se ajoelhava ao lado e rezava o pai nosso e ave maria, para me ensinar e eu conseguir dormir bem, me cobria,  me beijava e eu dormia, todo dia até a adolescência...sempre ele, nunca minha mãe, que estava até a nuca de trabalho na cozinha. Teve um pai que levava coca-cola de garrafa d vidro em dia de domingo para almoçarmos juntos, único dia que almoçava conosco. Que me lambia para me provocar, com cheiro de cigarro e cerveja, que me fazia chia. Também teve Katina número 42 voadora, puxão de orelha para chamar as pessoas de Senhor/a, e castigo se falasse algum palavrão. Minha memória de infância com pai tinha Mazzaropi, Jornal Nacional, bolo de chocolate e pizza de liquidificador, com muita rabanada frita e quentinha, mas pouca conversa e um cado de medo.

Minha infância tem memória de mãe arteira, que faz árvore de natal de garrafa pet e móveis de boneca com palitinho, caixa de fósforo, papelão e tudo que lhe permitia a imaginação. Tem bolo de aipim, tem muitos dedos ralados para ralar coco e aipim, tem muito suor e sangue de mãe. Pernas com varizes que saltam e doem, em pé no fogão, a pé carregando peso de compra. Tem desenho feito a mão, tem lição sem ter escola, mamãe me ensinou os primeiros passos de ler e escrever para me colocar logo na escola pública, iniciar a alfabetização aos 6 anos.

Minha infância tem brizolão, tem sopa e macarrão com ovo, tem soninho no colchonete no chão, tem um mundo de descobertas num pátio grandão, tem aula o dia inteiro, de artes e brincadeira. Tem 3 refeições fora de casa, às vezes 4. Doce de leite na colher. Laranja partida em quatro. Tem fila indiana do menor para o maior para entrar no refeitório, tem enfermeira na escola, tem formação para o hino nacional. Tem uniforme amarelo e azul. Tem piolhos, muitos. Colega de sala que expulsa lombrigas, tem. Muita trancinha com alfazema.

Minha infância, a primeira, foi rica demais, na diversidade de cuidados. Eu quero lembrar e dizer mais sobre ela... fica em aberto.




Ano de Glória


Meu coração recalcitrante,

Um ano que não sei mais quem sou eu

Um ano que tudo em mim se rendeu

365 dias enriquecidos com a mais árdua experiência do meu viver

ter você 24h de cada dia, dependente de mim

Mas eu te quis, muito, te pedi, orei por ti

Fui atendida pelas doces águas de Oxum,

Mas, não sem passar antes a ventania de Iansã

Nem sem a benção de mamãe Yemanjá.

Te querer me deu forças para te ter

Te ter depois de te querer, me ajudou a viver com você

Um ano que você move meus sonhos

Um ano que você é minha prioridade

Que não durmo sem seu cheiro.

Que não durmo do mesmo jeito...

Que meu peito é teu por inteiro

Mas que eu não sou toda minha, e respeito

Um ano de alegria

de sorriso e gargalhadas sonoras, que fazem rir a alma

que iluminam nossa áurea

um ano de incertezas, insegurança e mudança

de pisar no freio e de ir sem medo

Um ano que eu só agradeço,

Que todo dia é recomeço.

Um amor tão potente

uma bebe tão envolvente

Careca e cheia de dente

Arteira e artista, comemora cada conquista

levada como disse Doum

(e nisso não tem mal algum)

Eu saúdo tua existência

Que me exercita a paciência

Tu me pariu, filha!

Uma mãe, por competência.

Que seus dias sigam leves, de constante descoberta

Possa eu estar por perto, possa eu ser sua coberta

Quero ser melhor com o tempo, 

reconhecer sempre seu momento

No mais, desse ano de nossas novas vidas...

digamos: Viva!!



terça-feira, 14 de abril de 2020

Coisas que queria ter sabido antes

Me falaram um monte:
vc não vai dormir
não vai comer
não vai ao banheiro
bla bla bla

Sim, as vezes alguma coisa acontece e fica meio capenga
a casa quase sempre Uóh!
Cansa, cansa e cansa muito.
Como uma amiga disse até descansada eu tô com sono.

Mas ninguém me atentou que:


  • Que é melhor ficar mais tempo em casa mesmo que sinta muita dor e sua família ache que vai morrer, sua família preocupada pode ser trancada fora de casa, uma vez internada no hospital é mais complicada a decisão de voltar pra casa. Ah, cada caso é um caso uma ova, a maioria é a maioria, a maioria dos primeiros bebes demoram pra nascer, mesmo induzido, ponto.
  • Precisava de roupas que fosse fácil colocar o peito pra fora, não essas próprias de amamentação, as do dia a dia mesmo.
  • Menstruar com o neném miudinho ainda é terrível, jorra por cima e jorra por baixo, aí me pegou, a maioria só menstrua depois que o bebê sai da amamentação exclusiva e começa a introdução alimentar... 4 meses, livre demanda, e uma TPM ridícula. Você também pode ser uma exceção.
  • Só sei que nada sei. 
  • Ter outra pessoa dividindo as tarefas com você não é frescura, é essencial a saúde, principalmente a mental. Mas que seja uma pessoa que tu tenha uma relação primorosa, daquelas de cuidado e respeito, compreensão e diálogo, se não o que te ajuda é se virar só mesmo. Mas óh, ninguém nesse mundo deveria ficar mais de 48h cuidando de um bebe sozinha, que isso gente, exaustivo.
  • Neném recém nascido só dorme uma ova, tem dia que dorme tem dia que não, tem semana que não dorme, tem semana que só dorme, e esse "só dorme" são 30/40 min para 2horas acordado no seu colo... Até parece.
  • A coisa mais linda é quando ele sorri, verdade purinha. Mas cada avanço no aprendizado dele/a, se observar bem detalhadamente, é incrível, como uma planta crescendo desde a sua semente brotada na terra.

continua...


domingo, 12 de janeiro de 2020

Vdd verdadeira

Tudo que me diziam
Eu esperava ver pra crer
Agora que vivencio
Verdade vejo ser
Não há noite bem dormida
Fria fica a comida 
No banheiro tem que correr 
Bem que também não adiantava dormir e comer tudo antes, porque não daria pra armazenar e agora utilizar 
Tudo isso era bobagem 
Pra vc que ainda espera, faça tudo que der vontade
Porque sentirá falta é dessa liberdade
O mantra é que tudo passa
Que cada desafio te prepara para a próxima fase

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Com toda Glória

eu pedi e eu recebo
agora que a tenho, tremo de medo
ao mesmo tempo a mente viaja
respiro fundo e encho a alma de graça

eu a sonhei por muito tempo
e ainda parece tudo sonho
apesar de senti-la e de vê-la
apesar de todo mundo percebe-la

cada dia é uma sensação estranha
cada dia uma emoção diferente
sinto às vez uma comoção tamanha
toda hora me vem você a mente

nada mais tem tanta importância
tudo mais não é coerente
estamos só contando as horas
para ter você com a gente

ao redor de mim há várias formas
dentro de mim tudo se transforma
no corpo, na mente e no coração
antes semente, depois botão

sentimento inquietante
ora bonito ora angustiante
como é que pode?
dentro de mim um habitante

Deus sabe os caminhos que percorri
quantas vezes neguei
as vezes que muito quis
as muitas vezes que tentei
até aqui que consegui

Por isso nós louvamos
e também de nomeamos
com muita honra e
toda Glória








sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

PaSSiOnaL

PaSSiOnaL, é a palavra
Desse jeito, assim, desequilibrada.
Nossa, que jeito de ser sem jeito
com a fala, com a cara, com a tara

É de repente, vem um vento
Atropela, num pensa, reage
Não é sempre, tem época
Também não é coisa rara
Vem rápido, demora pouco
E passa.

Quem disse que passa?
Num passa...
Se alastra, se espalha, deixa marca.
E fica.
Ruminando na alma, buscando a calma.
E passa.

PASSional, irracIONAL
Personalidade que afeta e afasta.
Explica nada, só sente, grita e pergunta:
Qual foi? Tô puta!

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Ilimitada

Quando ouço a sua voz fico extasiada
No toque das suas mãos, excitada
Abraço então apertado, pra prender
E não perder

Sinto sua pele e fico relaxada
O calor dela aquece minha alma
Fico só pensando que não quero mais nada
Depois lembro com detalhes, quero coisas ilimitadas

Cheiro todos os seus cheiros
Não tem nenhum preterido
Sinto todos os seus gostos
Todos são o preferido

Nessa densa emoção que sinto
Às vezes me pergunto se minto
Se invento pra mim esse conto
Aumento mais de um ponto.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A medida do amor

Qual o tamanho da sua vida?
Você consegue medir?
Qual a distância da sua dor?
Você consegue sentir?

Como sabe o quanto é feliz?
Pelo o quanto consegue sorrir?
Qual a medida do amor?
Você pode dar valor?

Subo e desço as montanhas dessa vida
Entro nas curvas e passo nas retas, batida
Cada pedaço de chão percorrido,
Vejo que já estava medido.

Não posso contar o que já foi dito,
Mas, escuto e repito.
Agrego aquilo que meço,
Com a régua do que penso.

Deixe estar, fala a voz da consciência,
Já faz tudo medindo a consequência.
Onde que o amor segue as regras da ciência?
Essa medida está além da aparência.



quinta-feira, 28 de junho de 2018

Fora de tempo

Não há limite pra sentir
Por que o sentir deve ser controlado?
Padrões que nos cerceam
A liberdade de viver

O tempo se sente diferente
Que tempo é permitido não sentir?
Quando tudo que sente
Vem sem tempo e sem medir

Deixe tudo bagunçado
Assim como está, é organizado
Parece não, mas está tudo controlado
Se permita sentir o tempo consumado

Até porque o tempo traz suas verdades
Relativo de fato
Escoa como areia na peneira
Passa, voa, acaba.

domingo, 17 de junho de 2018

O que tinha para brilhar

Aquele ponto de luz que se apagou
Foi uma estrela em combustão
Queimou até sucumbir

Usou toda sua força para existir
Mas não resistiu ao calor 
Que buscou para sentir algo

Enquanto brilhava cintilante
Consumiu seus sentimentos
E desapareceu, quando passou a sentir nada

Estrela cadente

Corre na veia uma estrela
Um rastro de astro que virou poeira
Reflete na pele seu brilho estelar
Ofusca até a luz solar

O nome dela é desejo
Do verbo desejar
Surgiu do planeta Paixão
Caiu nesse mundão
E se instalou na pulsação

A cada impulso do querer
Brilha e ilumina todo um ser
Aquece e revela seu poder
De nos contagiar




Devaneios impulsivos

Corpo
Naturalmente exposto
Ao calor da pele.
Branda a sensação
De fogo.
Queima sem arder
Ama sem querer
Envolve aquilo
Que mais temia
Eita, emoção desenfreada.
Cuidado coração,
Essa não é a escolha da razão.
Equilibra, segura, evita
Preste atenção!
Porque na estrada,
Ainda há chão
Caminha, olha pra frente
Não caia nessa, não.
Sua regra é não limitar-se de sentir
Mas, tu só pulsa se eu permitir
Seguremos então o freio de mão
Pra não ser levado por essa ilusão
Impulsiva paixão
Devaneio
Do corpo
Que queima
No calor
Sem temor





Viagem de si

Na rua da loucura
Me hospedei na temporada da ausência
E nela me encontrei com eloquência
Pois na solidão das falências
Tudo que havia era permanência
Quem pensa que na vida há explicações
Está seguindo a padrões
E não vivendo a essência

Nesse hotel chamado convivência
Explorei a minha presença
Que por vezes sufocada
Não era significada

Tudo, que nas férias das aparências, eu conheci
Era mais do que uma vida inteira, mostrou para mim.




Revigorando

Os dias que passaram, aconteceram?
Me perguntei, com a alegria da certeza.
O termo usado é "alma lavada",
A minha está revigorando...
Meu corpo recebeu feixes de luz
Uma coloração que nunca havia percebido antes
As luzes e suas cores vibrantes,
Agitaram meu ser, agitaram minha'alma
Trouxe-me a razão, razão, sim, por que não?
Consciência do mundo que habitava em mim.
Aquele mundo que outrora eu fugia, ou fugia de mim.
Quanta emoção em sentir que o mundo vive,
Que eu vivo.
Sinto as formas agora, as formas de sentir.
Revigorando a minha mente, naquilo que se sente...
Na leveza que é não ser necessário sentir, sinto tudo.
E é muito intenso.
As luzes e suas cores revigorantes, vibram todo sentimento
O coração bate o ritmo da dança das nuvens, flutuando.
Não há razão, verdade...
Como pode ter razão tal coisa assim.
Divino és, sem razão alguma de ser.
Essa é minha leveza, não tem sofrer que não supere.
Resiliência, as luzes me recobraram.
Segue dançante pelo céu de anil.

sábado, 9 de junho de 2018

Repeti_dor

Tortura o nome que dá para o que causa dor lentamente
Assim é sentir dor em prestações
Quando seu fôlego retoma, você se afoga novamente
A superfície se molda, com a ação contundente
Tanto bate que fortalece, tanto fura que se fecha
Cicatriza dor, cicatriza
Deixa ir embora o torturador

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Dia 1


A porta se abriu e não fechou.
Saiu ele, saiu coisas, saiu e ficou.
Eu fiquei com minha porta aberta
Entrei e permaneci
Coisas saíram com ele
Eu fiquei com coisas e ele
Até dois instantes tava dentro dele e das coisas
Até cinco instantes tava mergulhada em mim
Depois de todos os instantes passados nos instantes anteriores
Eu tava em instantes póstumos, num passado de coisas e dele.

Águava em mim as coisas e ele
Desciam pela minha garganta os instantes
Não era mais nada, mas era todas as coisas e ele.

Dia 2 

Amanheceu o dia na cama, mas a cama não acordou do seu sono
O sol sorriu e eu devolvi no canto da boca.
Me olharam e me viram diferente, eu percebi
Andei diferente, do mesmo jeito que faço todos os dias
Olhei pelo vidro da janela, ouvi Michael e chorei.

Tudo ao redor passava em câmara lenta,
O dia estava lento
Eu estava lenta
Lentidão do tempo
Para me cansar e me fazer anoitecer.


Dia 3 
Parece nada
Parece tudo
Parece o meio
Parece o fim do meio
Do início parecia nada
No meio pareceu tudo
No fim não parece.

Dia 6 

Os dias se esvaíram 
Perdi as contas dos dias que passaram dentro deles
Dias poucos 
Sentimento de mês
Ano feito de dias poucos
Mês feito de um dia ou outro
Tempo relativo ao sentimento
Duração de vida em dias ou mais
Sentimento de tempo em anos
Mês se foi, mês que vem.
Dias depois...

Os dias perderam as contas de si
Eu perdi as contas de mim
Quem sou eu hoje, universo?
Repito comigo.
Ecoa a dúvida pelos astros
Cada vez o dia me mostra quem
A mesma sempre, mas com nuances diferentes
Das experiências que vivenciei 
Nada foi como é agora e nem será
De fato, na vida de qualquer um 
Tudo é mais imprevisível do que se imagina
Aqui comigo tem ficado menos razão, nos dias bons
Muita emoção nos dias vãos
Não quero contar mais o tempo 
Observo-o passar e atento
Porém não os direis mais
Deixo esse último trecho de alento

Mundo, ele e eu.

Tem dia que eu quero o mundo
Eu e ele
Tem dia que eu quero ele
Ele e eu
Tem dia que o mundo escapa de mim
Em outros, eu escapo
Do mundo, um dia ou outro
Dele, outros dias
Fora do mundo me perco em mim
Fora dele me acho no mundo
Por vezes estou só em mim.
Sem mundo. Sem ele.
Me encontro diferente em cada troca, ora não sou mais Eu, ora sou ele, ora sou o mundo. Ora serei.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Consequência e Sequência

Pensa, pensa, pensa
Coloca em ação.
Foge, foge, foge
Não coloca a mão.
Teme,teme, teme
Não crê nele não.
Sofre, sofre, sofre
Espera o perdão.
Chora, chora, chora
Escuta a canção.
Grita, grita, grita
Expõe sua paixão.
Geme, geme, geme
Sinta tesão.
Ria, ria, ria
Viva com emoção.
Cresça, cresça, cresça
Aprenda a lição.
Morra, morra, morra
Nessa encarnação.
Volta, volta, volta
Com mais disposição.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

30

A vida chega a etapa dos 30.
Momento que repassa um histórico do que foi e não foi realizado
Um filme cinematográfico, um documentário bizarro de erros e estranhezas, como uma lista de prós e contras do que executou...
O que não fez pesa mais, tem mais itens
Cobranças de uma sociedade falida mascarada por caráter pessoal
Mas temos dó de nós mesmos, ou compaixão, que seja
Equilibramos a lista com os pontos positivos
não fiz isso mas, fiz aquilo
Porém o que importa é onde está.
Se onde e como se encontra compete com as expectativas
Sim, os 30 gera expectativas por toda vida que o antecede...
Claro, isso é cultural, tradicionalmente promovido como "a" idade.
Idade de atingir a estabilidade. De ter filhos. De saber quem é.
Imaginei uma lista polarizada
Não tenho emprego estável x Trabalhei em vários lugares
Não fui convocado num concurso Público x Adquiri diferentes experiências
Não tive um filho x Tenho vários sobrinhos e ainda tempo para me preparar mais pra "isso"
Não saí do Brasil x Morei e até trabalhei em outros estados
Não me casei na igreja, sem grinalda e sem festa x Tenho hoje um relacionamento considerado bacana
Não aprendi a dirigir x Tudo bem, é menos um risco que se corre
Tantos "NÃO" que vêm na frente...
Bem, dá pra inverter a polaridade das frases da lista, mas fica entediante.
O lance dos 30 é expurgar-se.
Se perdoar e entender as consequências do que passou, arrepender-se
Se conhecer melhor e ser mais firme no que pensa e deseja, ou do que não deseja ao menos
Ter uma rede de amigos!
Conseguir compreender a sua família.
Superar e continuar.