A porta se abriu e não fechou. Saiu ele, saiu coisas, saiu e ficou. Eu fiquei com minha porta aberta Entrei e permaneci Coisas saíram com ele Eu fiquei com coisas e ele Até dois instantes tava dentro dele e das coisas Até cinco instantes tava mergulhada em mim Depois de todos os instantes passados nos instantes anteriores Eu tava em instantes póstumos, num passado de coisas e dele. Águava em mim as coisas e ele Desciam pela minha garganta os instantes Não era mais nada, mas era todas as coisas e ele.
Dia 2 Amanheceu o dia na cama, mas a cama não acordou do seu sono O sol sorriu e eu devolvi no canto da boca. Me olharam e me viram diferente, eu percebi Andei diferente, do mesmo jeito que faço todos os dias Olhei pelo vidro da janela, ouvi Michael e chorei. Tudo ao redor passava em câmara lenta, O dia estava lento Eu estava lenta Lentidão do tempo Para me cansar e me fazer anoitecer. Dia 3
Parece nada Parece tudo Parece o meio Parece o fim do meio Do início parecia nada No meio pareceu tudo No fim não parece. Dia 6 Os dias se esvaíram Perdi as contas dos dias que passaram dentro deles Dias poucos Sentimento de mês Ano feito de dias poucos Mês feito de um dia ou outro Tempo relativo ao sentimento Duração de vida em dias ou mais Sentimento de tempo em anos Mês se foi, mês que vem.
Dias depois...
Os dias perderam as contas de si
Eu perdi as contas de mim
Quem sou eu hoje, universo?
Repito comigo.
Ecoa a dúvida pelos astros
Cada vez o dia me mostra quem
A mesma sempre, mas com nuances diferentes
Das experiências que vivenciei
Nada foi como é agora e nem será
De fato, na vida de qualquer um
Tudo é mais imprevisível do que se imagina
Aqui comigo tem ficado menos razão, nos dias bons
Muita emoção nos dias vãos
Não quero contar mais o tempo
Observo-o passar e atento
Porém não os direis mais
Deixo esse último trecho de alento
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