segunda-feira, 28 de maio de 2018

Dia 1


A porta se abriu e não fechou.
Saiu ele, saiu coisas, saiu e ficou.
Eu fiquei com minha porta aberta
Entrei e permaneci
Coisas saíram com ele
Eu fiquei com coisas e ele
Até dois instantes tava dentro dele e das coisas
Até cinco instantes tava mergulhada em mim
Depois de todos os instantes passados nos instantes anteriores
Eu tava em instantes póstumos, num passado de coisas e dele.

Águava em mim as coisas e ele
Desciam pela minha garganta os instantes
Não era mais nada, mas era todas as coisas e ele.

Dia 2 

Amanheceu o dia na cama, mas a cama não acordou do seu sono
O sol sorriu e eu devolvi no canto da boca.
Me olharam e me viram diferente, eu percebi
Andei diferente, do mesmo jeito que faço todos os dias
Olhei pelo vidro da janela, ouvi Michael e chorei.

Tudo ao redor passava em câmara lenta,
O dia estava lento
Eu estava lenta
Lentidão do tempo
Para me cansar e me fazer anoitecer.


Dia 3 
Parece nada
Parece tudo
Parece o meio
Parece o fim do meio
Do início parecia nada
No meio pareceu tudo
No fim não parece.

Dia 6 

Os dias se esvaíram 
Perdi as contas dos dias que passaram dentro deles
Dias poucos 
Sentimento de mês
Ano feito de dias poucos
Mês feito de um dia ou outro
Tempo relativo ao sentimento
Duração de vida em dias ou mais
Sentimento de tempo em anos
Mês se foi, mês que vem.
Dias depois...

Os dias perderam as contas de si
Eu perdi as contas de mim
Quem sou eu hoje, universo?
Repito comigo.
Ecoa a dúvida pelos astros
Cada vez o dia me mostra quem
A mesma sempre, mas com nuances diferentes
Das experiências que vivenciei 
Nada foi como é agora e nem será
De fato, na vida de qualquer um 
Tudo é mais imprevisível do que se imagina
Aqui comigo tem ficado menos razão, nos dias bons
Muita emoção nos dias vãos
Não quero contar mais o tempo 
Observo-o passar e atento
Porém não os direis mais
Deixo esse último trecho de alento

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